Caso de Lito chama atenção para doença rara que pode ser confundida com Alzheimer
Alterações de memória, comportamento e raciocínio podem ocorrer tanto na doença de Alzheimer quanto na doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Embora alguns sintomas possam ser semelhantes, as duas doenças apresentam causas, evolução e possibilidades de tratamento bastante diferentes.
O caso do criador de conteúdo Lito Sousa, de 59 anos, responsável pelo canal Aviões e Músicas, chamou atenção para a doença de Creutzfeldt-Jakob. A situação também amplia a discussão sobre doenças que provocam alterações cognitivas durante o Setembro Lilás, campanha de conscientização sobre a doença de Alzheimer e outras demências.
Segundo o Neurocirurgião do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança, Dr. Patrick Moro Mariano, a DCJ é uma doença neurológica rara e grave, causada por príons — proteínas que assumem uma conformação anormal e desencadeiam um processo progressivo de neurodegeneração.
“Ela pode começar com alterações de memória, comportamento ou outras funções cognitivas. Em pouco tempo, o paciente pode apresentar dificuldade para caminhar, perda de coordenação, movimentos involuntários e evolução para um quadro de demência grave”, explica.
Na maioria dos casos, a DCJ ocorre de forma esporádica, sem uma causa identificável. Uma parcela menor está relacionada a alterações genéticas, enquanto os casos associados à transmissão por procedimentos médicos são extremamente raros. Existe ainda a variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, uma forma distinta de doença priônica associada à exposição ao agente da encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como “doença da vaca louca”.
Evolução rápida é uma das principais diferenças
A principal diferença entre a doença de Alzheimer e a DCJ está, em grande parte, na velocidade de evolução dos sintomas. O Alzheimer costuma progredir ao longo de vários anos, enquanto a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma deterioração neurológica acentuada em semanas ou poucos meses.
“No Alzheimer, as alterações de memória geralmente aparecem de forma gradual e, com o tempo, outras funções cognitivas também podem ser comprometidas. Na DCJ, além do declínio cognitivo rápido, são frequentes alterações do equilíbrio, da marcha e da coordenação, além de movimentos involuntários, chamados de mioclonias”, afirma o Neurocirurgião.
O diagnóstico da DCJ é baseado na história clínica, especialmente na velocidade de progressão dos sintomas, associada a achados característicos em exames como ressonância magnética cerebral, análise do líquor e eletroencefalograma. A investigação também busca excluir outras causas de demência rapidamente progressiva.
Entre os exames disponíveis está o RT-QuIC, realizado principalmente no líquor, que detecta a atividade de conversão associada à proteína priônica anormal. Quando associado a um quadro clínico compatível, um resultado positivo tem grande valor diagnóstico e pode preencher os critérios para DCJ provável.
No Alzheimer, a investigação começa com avaliação clínica e cognitiva, acompanhada de exames laboratoriais e de imagem para excluir outras causas de comprometimento cognitivo. A confirmação da doença pode ser complementada por biomarcadores que demonstram alterações relacionadas às proteínas beta-amiloide e tau, incluindo exames realizados no líquor, no sangue e por métodos de imagem, como o PET.
Nenhuma das duas doenças possui cura. Na DCJ, o tratamento é voltado principalmente ao controle dos sintomas e aos cuidados de suporte. No Alzheimer, medicamentos sintomáticos podem proporcionar benefícios sobre manifestações cognitivas e comportamentais. Para pacientes selecionados nas fases iniciais da doença, medicamentos que atuam sobre a proteína beta-amiloide, como lecanemabe e donanemabe, podem retardar modestamente a progressão clínica, mas não curam a doença e estão associados a riscos que exigem seleção criteriosa e acompanhamento especializado.
“Quando ocorre uma mudança cognitiva rápida, principalmente quando acompanhada de dificuldades motoras, alterações da marcha, perda de coordenação ou movimentos involuntários, é necessária uma investigação neurológica. Apesar de algumas semelhanças iniciais, Alzheimer e Creutzfeldt-Jakob são doenças distintas e exigem abordagens diferentes”, afirma Dr. Patrick.
Crédito da foto: Magnific/Divulgação.
Sobre o Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista
O Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista é um hospital filantrópico de perfil secundário, referência em atendimentos de baixa e média complexidade para a cidade de Bragança Paulista e para a microrregião bragantina da DRS-VII Campinas, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Essa microrregião reúne os municípios de Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Joanópolis, Nazaré Paulista, Pedra Bela, Pinhalzinho, Piracaia, Socorro, Tuiuti e Vargem, com uma população estimada de 513 mil habitantes, segundo dados do IBGE de 2024.
A instituição conta com cerca de 2 mil profissionais e aproximadamente 450 médicos. Atualmente, possui 153 leitos, sendo 66 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2025, o hospital realizou 1.435 partos, com média de 120 por mês. No pronto-socorro, foram registradas 147.409 consultas ao longo do ano, considerando atendimentos do SUS e da rede particular, com média mensal de 12.284 pacientes.
No mesmo período, foram realizadas 7.539 cirurgias, média de 628 por mês. Na área de diagnóstico, o hospital contabilizou 2.233.940 exames laboratoriais, com média mensal de 186.162, além de 122.248 exames de imagem, entre raio-X, ultrassonografia e tomografia, com média de 10.188 por mês, reforçando seu papel na assistência hospitalar da região.
Assessoria de Imprensa do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista
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